HERMES

Hermes nasceu da ninfa Maia com Zeus. Maia vivia escondida em uma caverna no Monte Cilene, na Arcádia, fugindo do caos do Olimpo. No primeiro dia de vida, Hermes já mostrou que não era qualquer um: saiu do berço escondido, matou uma tartaruga e inventou a lira com o casco, usando tripas de boi como cordas.

À noite, roubou 50 bois de Apolo e disfarçou as pegadas para ninguém descobrir. Escondeu tudo e voltou pro berço como se nada tivesse acontecido.

Quando Apolo descobriu, foi tirar satisfação com Zeus, mas Hermes deu um show de lábia e ainda presenteou o irmão com a lira, selando a amizade entre os dois.

Resultado? Zeus amou a esperteza do filho e o nomeou mensageiro oficial dos deuses.

Hermes não era um deus limitado a um papel só. Ele era um verdadeiro faz-tudo do Olimpo:

  • Mensageiro dos deuses: Levava recados entre o Olimpo, a Terra e o submundo.

  • Psicopompo: Acompanhava as almas até Hades. Era o único, além de Hécate, que podia ir e voltar do submundo sem problema.

  • Deus do comércio: Patrono dos comerciantes, mercadores, viajantes e até dos vigaristas.

  • Protetor dos ladrões: Sim, ele curtia uma trapaça bem feita. Não era vilão - era o malandro inteligente.

  • Deus da eloquência e diplomacia: Se hoje o cara da oratória tem “jogo de cintura”, isso é coisa de Hermes.

Hermes aparecia nos mitos dos deuses, mas também descia pra dar um uma trollada nos humanos:

  • Odisseia: Ele dá a Odisseu a planta mágica para se proteger dos encantos da bruxa Circe.

  • Perseu: Hermes emprestou as sandálias aladas e o caduceu para Perseu enfrentar a Medusa.

  • Prometeu: Foi Hermes quem levou o castigo de Zeus a Prometeu, acorrentado por roubar o fogo para os humanos.

Hermes era adorado por comerciantes, atletas, diplomatas e viajantes. Seu culto era muito forte na Grécia, especialmente em áreas urbanas e portuárias. Havia hermas (esculturas com rosto de Hermes e um falo ereto) espalhadas nas ruas, acreditava-se que protegiam os caminhos e espantavam o mal.

Na prática, Hermes era o símbolo do brasileiro raiz: malandro, ligeiro, simpático, comunicador, flexível e carismático. Um cara que desenrola qualquer parada.

Hermes era o cara que costurava acordos, intermediava tretas e negociava com jeitinho. Um verdadeiro mediador de interesses, sempre mantendo o equilíbrio entre forças opostas, o céu e o submundo, os deuses e os homens, o certo e o "nem tanto".

Exemplo clássico: no mito de Perséfone, quem foi buscar ela no inferno e negociar com Hades? Hermes. Resolveu com um acordo que agradou todo mundo (ela ficava parte do ano com Hades e parte com Deméter).

Hoje em dia? Hermes seria o cara que resolve treta de sócios, fecha round de investimento e ainda cobra porcentagem na mediação.

Tem um mito meio fora do mainstream, mas que revela muito: Hermes e Afrodite têm um filho chamado Hermafrodito (sim, daí vem o nome). Ele nasce homem, mas se funde com uma ninfa chamada Salmacis, virando um ser andrógeno, mistura de masculino e feminino.

Esse mito traz Hermes como símbolo da quebra de dualidades: masculino/feminino, bem/mal, vida/morte. É o deus da transição, que não se encaixa nas caixinhas.

Hermes não era ladrão comum, era o patrono da inteligência fora da caixa, da habilidade de burlar o sistema com estilo. Ele não glorificava o roubo, mas a esperteza.

Protegia ladrões de gado, traficantes, contrabandistas, malandros das rotas comerciais.

No fundo, era o deus dos que vivem à margem da ordem oficial, mas não são criminosos, são sobreviventes jogando com as regras que têm.

Na psicologia junguiana, o trickster é o arquétipo do “bagunceiro criativo”, que quebra a ordem para gerar transformação. Hermes desafia regras, cria novas rotas, reinventa a lógica. Não por maldade, mas porque o caos é um instrumento de evolução.

Ele não é herói nem vilão, é o catalisador do movimento. É o pirata que invade o sistema e mostra a falha, rindo da rigidez do status quo.

Aqui a conexão é natural: Hermes é o deus dos mercados, do valor que circula, do fluxo de informação e riqueza. Se ele existisse hoje: Criaria soluções para facilitar trocas entre pessoas sem intermediários.

Defenderia liberdade individual e mobilidade de capital, totalmente anarcocapitalista.

Ele não ia querer Banco Central nem regulação estatal: iria preferir uma Blockchain, rápida, flexível e anônima.

Resumo da ópera: Hermes é o anti-burocracia, anti-moralismo. Ele não quer saber de moral estatal ou dogma. Quer saber se a ideia funciona, se conecta mundos, e se gera valor.

HERMES DEFINITIVAMENTE NÃO É SOCIALISTA; MAS DEPENDE.